Caixa busca sócio estrangeiro para disputar Lotex

A Caixa Econômica Federal procura um parceiro estrangeiro para entrar como sócia minoritária no leilão da Lotex, previsto para ocorrer no ano que vem. O presidente da Caixa Instantânea, Rubens Santos, disse ao Valor que a estatal entraria na sociedade com seus ativos de rede lotérica, capilaridade e conhecimento do mercado brasileiro e, se necessário, também com recursos para ajudar a pagar a outorga do leilão de concessão.

Esse aporte seria feito com recursos da Caixa Participações (CaixaPar), braço da Caixa para aquisição de participação em empresas. Isso ajudaria a driblar a restrição de capital do banco, algo que ameaça deixar a instituição fora da disputa. A ideia é que a estatal tenha uma participação em torno de 25% na sociedade que vai operar a “Raspadinha”.

“Nesse modelo de concessão plena, a Caixa ficou de fora do negócio, mas entende que é um produto de aceitação muito grande, potencial de venda grande. A Caixa está procurando um parceiro para se associar no modelo de exploração”, explicou Santos. “É um estudo, mas a intenção é participar do processo porque, como tem mais de 50 anos do mercado de jogos, não ficar de fora!, acrescentou.

A estatal considera que a rede de 13 mil lotéricos, a elevada capilaridade, a marca e o nível de conhecimento do mercado brasileiro representam um capital “intangível” importante para atrair algum parceiro que a aceite como sócia minoritária.

Santos explica que um dos motivos para a busca de parceria é que, no edital, há uma exigência de operação mínima de venda de loteria instantânea que a Caixa não atende, mas que operadores estrangeiros conseguem atingir.

Segundo ele, ainda não há um limite de valor com o qual o banco do governo participaria do negócio. “Depende do plano de negócio que a Caixa está discutindo com os operadores”, disse, lembrando que há uma definição de regras prevendo que minoritários tenham participação de ao menos 15%. O desenho societário envolvendo a Caixa Instantânea e a CaixaPar nesse processo ainda não está resolvido.

O dirigente da Caixa Instantânea salienta que o mercado tem um potencial de venda superior a R$ 7 bilhões por ano.

O processo de operacionalização da concessão da Lotex está bem mais lento do que o governo esperava inicialmente. Além disso, o potencial de arrecadação com a outorga a ser paga por quem vencer o leilão caiu demais. Inicialmente, a equipe econômica esperava arrecadar cerca de R$ 4 bilhões. Os valores despencaram e, para tentar obter pelo menos R$ 1 bolhão.

Por conta disso é que essas empresas também estariam à procura de parceiros. Uma hipótese que não pode ser descartada, segundo uma fonte, é de consórcios das próprias empresas internacionais que se interessaram pelo mercado brasileiro, o que deixaria a Caixa de fora. Esse, contudo, não é visto como cenário básico porque haveria interesse dessas companhias em ter o banco brasileiro como sócio principalmente pela rede de loterias, que aceleraria o processo de distribuição do produto a um custo menor.

Outro problema que tem causado preocupação entre eventuais participantes, segundo uma fonte, é a possibilidade de o Congresso, com respaldo do governo, fazer avançar o projeto de legalização de jogos de azar, o que mudaria todo o cenário desse mercado e as possibilidades de ganhos.

Deixe seu comentário